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Novas Abordagens para Segurança Pública e Políticas de Drogas

Presentations from the International Symposium on Public Security and Drug Policy, Rio de Janeiro 25-27 February 2008 Apresentações do Simpósio Internacional de Segurança Pública e Políticas de Drogas,, Rio de Janeiro, 25-27 Fevereiro, 2008

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O fenômeno das drogas e o seu impacto no campo da segurança pública exigem cada vez mais a atenção de diversos países. Tratando-se de uma problemática global, os desafios que são postos exigem um diálogo internacional na busca de respostas inovadoras e eficientes. O desenvolvimento pleno das nossas sociedades terá de passar por uma abordagem adequada no enfrentamento destes desafios. O Simpósio serviu para trazer à atenção da comunidade responsável pelas políticas de segurança pública e pelas políticas de drogas, os desafios que se colocam com o tráfico de drogas no campo da segurança pública.

Políticas de drogas
A problemática das drogas é um tema complexo que coloca múltiplos desafios às nossas sociedades atuais. O combate às drogas, tal como é encarado pelas autoridades brasileiras, é uma questão de saúde pública, de combate à criminalidade, de segurança nacional e uma questão cultural [Tarso Genro]. Esta perspectiva, partilhada por diversos países, defende que as políticas de combate às drogas devem atacar as raízes do problema [Francisco Thoumi]. Trata-se de uma abordagem multidisciplinar, que previne efeitos nocivos como a sobreincriminação [José Luís Lopes da Mota] e a discriminação de usuários [Oscar Zuluaga], ao mesmo tempo em que possibilita maiores níveis de sucesso.


A política brasileira de drogas
No Brasil, a nova Lei sobre Drogas realinhada em 2006 permitiu ao país suplantar uma legislação obsoleta e se posicionar de forma avançada no cenário internacional [Jorge Armando Félix] em harmonia com a Constituição e as normas da ONU [Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa]. Um dos aspectos progressivos da nova Lei sobre Drogas é a distinção de penas para usuários e para traficantes de drogas. Este modelo restaurativo de justiça garante ao infrator a proporcionalidade da medida punitiva com finalidade didática e terapêutica [Joaquim Domingos de Almeida Neto], ao mesmo tempo em que atende às recomendações dos especialistas para a distinção entre tipos de usuários [Antônio Nery Filho].

Segurança pública e drogas: uma visão multidisciplinar
A segurança pública e o problema das drogas possuem múltiplos aspectos e impõem uma ação multidisciplinar do governo que atinja simultaneamente as várias dimensões relativas a essas questões [Antônio Carlos Biscaia]. Neste ponto, o Brasil avançou com abordagens inovadoras como é o caso do PRONASCI [Norine McDonald/Raymond Kendall]. O programa busca um novo paradigma de segurança pública que alia políticas de segurança com políticas de inclusão social, enfrentamento com prevenção e prevê operações policiais para a implantação de um território de paz [Antônio Carlos Biscaia]. O PRONASCI está em sintonia com a noção de que os problemas de segurança pública e de drogas refletem problemas sociais não resolvidos, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, onde a institucionalidade é fraca e inconsistente [Francisco Thoumi/Alba Zaluar/ José Mariano Beltrame].

Segurança pública e tráfico de drogas: o caso do Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, como em outros lugares, o problema das drogas reflete problemas sociais não resolvidos, mas acaba por exacerbar ainda mais os problemas sociais já existentes enquanto cria outros efeitos nocivos [Francisco Thoumi]. A violência do Rio de Janeiro é exemplo disso, onde cada vez mais jovens das favelas se envolvem com o tráfico de drogas. Realidade que engrossa as estatísticas da criminalidade violenta [Alba Zaluar] e cria um problema grave de segurança pública. Sob o poder de facções criminais de tráfico de drogas ou milícias, instalaram-se núcleos de criminalidade que impõem uma violência diária na vida da população. Contra estes grupos fortemente armados, as forças policiais se vêem limitadas a conter a violência com base na inteligência, uma vez que os recursos são escassos [José Mariano Beltrame].

O tráfico de drogas e o crime organizado
O tráfico de drogas é o mais importante segmento da indústria internacional do crime [José Luís Lopes da Mota] que se vê em clara vantagem sobre as forças de segurança – estas operando com recursos escassos, e aquela dispondo de uma economia super financiada [Norine McDonald]. O Afeganistão, líder mundial na produção ilícita de ópio, ilustra este tipo de situação, onde o lucro excessivo e a posterior lavagem de capital financiam atividades terroristas e corrompem as estruturas de estado. Por outro lado, o tráfico de drogas está a reagir mais rápido contra as mudanças do mundo que as agências antidrogas [Romesh Battachraji]. A globalização possibilitou um aumento da mobilidade e facilidade das transações criminais, tornando o crime organizado mais sofisticado e eficiente [Emmanuel Reinert].

Com o crescimento da população mundial e a concentração humana em áreas urbanas criou-se um fenômeno de mega-favelas, ambientes propícios ao surgimento de atividades ilícitas e que representam um grande desafio para a segurança pública. Enquanto as organizações criminais beneficiam com o aumento da população e concentração urbana, da mobilidade e da facilidade de comunicação, o cumprimento da lei se torna cada vez mais difícil [Christopher Langton].

Estratégias para o combate ao crime organizado
No âmbito brasileiro, a estratégia da Polícia Federal (PF) para responder e acompanhar a evolução da criminalidade organizada foi o desenvolvimento do setor de inteligência, num quadro de estruturação sistêmica da instituição [Corrêa]. Foram criados setores especializados, mantendo o caráter sistêmico da PF, e criados os canais propícios para a retroalimentação do conhecimento produzido [Luiz Fernando Corrêa].

O combate da PF ao fenômeno das organizações criminosas tem sido conduzido por meio de cooperação internacional em investigações pró-ativas que visam à desarticulação daquelas estruturas. Com base em técnicas avançadas e progresso na legislação, o Brasil faz um controle rigoroso de substâncias precursoras, criminaliza a lavagem de ativos com possibilidade de confisco de bens, participa num intercâmbio intenso com polícias estrangeiras, incluindo investigações conjuntas. A par da cooperação internacional, a PF brasileira faz um continuado esforço de atualização, articulação e expansão da capacidade para responder aos desafios crescentes [Roberto Troncon].

A cooperação e coordenação internacionais são chave para que os agentes públicos e a justiça estejam à altura de lidar com as redes criminosas de alto poder econômico e grande capacidade de cooperar e se organizar em rede. A Eurojust é uma iniciativa que visa aumentar a capacidade de cooperação e coordenação dos estados em casos que envolvam dois ou mais estados, ao nível judiciário por meio da desburocratização, da simplificação e da aproximação dos sistemas [José Luís Lopes da Mota]. O Mecanismo de Avaliação Multilateral da OEA é também uma iniciativa relevante para coordenar a cooperação interestatal para o combate ao abuso de drogas, crime e violência. Enquanto instrumento de avaliação da eficácia das medidas antidrogas implementadas pelos membros, o MAM possibilita uma partilha de conhecimentos e permite a identificação das fraquezas e vulnerabilidades regionais, ao mesmo tempo em que informa as áreas que requerem maiores níveis de cooperação [Abraham Stein].

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1. A Construção da Política Brasileira Sobre Drogas
Jorge Armando Félix, Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e Presidente do Conselho Nacional – Brasil

Jorge Armando Félix, Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República do Brasil e Presidente do Conselho Nacional Antidrogas, introduziu a política de drogas brasileira, frisando que esta foi institucionalizada muito recentemente, durante a administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

2. O Mercado da Droga
Tarso Fernando Herz Genro, Ministro da Justiça – Brasil

O Ministro da Justiça, Tarso Fernando Herz Genro, apontou o caráter multidimensional das questões de segurança pública e do problema das drogas, que ultrapassa barreiras de classe e requer o engajamento de um conjunto de instituições governamentais e a sociedade civil.

3. Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento (ICOS) - Uma Apresentação
Norine MacDonald QC, Presidente do ICOS

A Presidente do Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento (ICOS), Norine MacDonald QC, concluiu a primeira sessão apresentando o ICOS e o paradigma de segurança e desenvolvimento que o seu trabalho promove.

4. Desafios da Segurança Pública da América Latina: Soluções Regionais
Abraham Stein, Secretário Adjunto de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos


Primeira Parte: Segurança Pública e o Problema das Drogas

Aprimeira sessão temática do simpósio dedicou-se ao tema da Segurança Pública e a Problemática das Drogas. Autoridades brasileiras e internacionais que atuam diretamente na redução da oferta e da demanda de drogas fizeram exposições demonstrando o impacto que a problemática das drogas tem no dia a dia das atividades de segurança pública, e quais os caminhos que estão sendo adotados para a minimização do problema.

5. Mediador
Vitalino Canas, Presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus e Deputado à Assembléia da República – Portugal

O mediador da sessão, Vitalino Canas, deputado português e conselheiro sênior do ICOS, referiu que atualmente existe uma confluência entre Brasil e Europa no tocante à visão multidisciplinar e multidimensional adotada sobre a segurança pública e a problemática das drogas. Segundo Canas, o Brasil distancia-se de políticas essencialmente centradas na repressão, e é hoje um dos países mais progressivos e inovadores. Cita como exemplos o Pronasci e a Lei 11.343 (Lei das Drogas) que, nas suas palavras, demonstra uma concessão progressiva e correta.

6. Política Brasileira sobre Drogas
Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, Secretário Nacional Antidrogas, Presidência da República – Brasil

O Gal. Yog de Miranda Uchôa, Secretário Nacional Antidrogas, iniciou sua apresentação avaliando as dimensões do Brasil e a sua situação geográfica que propiciam o trânsito e o consumo de drogas. O Gal. Uchôa descreveu a elaboração da política nacional antidrogas, com ênfase na integração dos esforços federais e estaduais, e a sua atualização e harmonização com a Constituição e as normas da ONU. Referiu que em 2006, é aprovada lei que dá maior ênfase à recuperação do usuário em lugar de seu encarceramento, e de redução da demanda por drogas.

7. O Papel Sistêmico da Polícia Federal na Política de Drogas
Luiz Fernando Corrêa, Diretor Geral da Polícia Deferal – Brasil

Luiz Fernando Corrêa, Diretor-Geral da Polícia Federal, contextualizou o papel de sua instituição no combate ao problema das drogas, no quadro da Política Nacional Antidrogas. Com esta Política, a PF passou a centralizar as atividades relativas à oferta e repressão, e a articular-se com outras instituições do governo relacionadas, transferindo às forças estaduais capacidade de investigação e repressão. Corrêa apontou também outros campos de atenção da PF: relação com polícias estrangeiras, aperfeiçoamento da inteligência da PF e expansão de sua capacidade, para responder às crescentes demandas de serviço.

8. O Problema Complexo das Drogas e o Trabalho de Segurança Pública
Antônio Carlos Biscaia, Secretário Nacional de Segurança Pública (2007-2008), Ministério da Justiça – Brasil

Antônio Carlos Biscaia, então Secretário Nacional de Segurança Pública, discutiu a questão sob o prisma da SENASP. O Secretário enfatizou o papel da legislação de 2006, mas alertou para a falta de eficiência do sistema judiciário no tratamento dos casos. Por fim, Biscaia apresentou as funções da SENASP, inicialmente de apoio ao combate às drogas e atualmente de coordenação do PRONASCI, que associa políticas de segurança pública a medidas de inclusão social.

9. Tráfico de Drogas: Cooperação Internacional em Matéria Penal
José Luís Lopes da Mota, Presidente da EuroJust, Unidade de Cooperação Jurídica da União Européia

José Luís Lopes da Mota, Presidente da Eurojust, referiu que a criminalidade organizada aproveita-se das facilidades criadas pela globalização, sendo o tráfico de drogas o mais importante segmento da indústria internacional do crime. O problema das drogas deve ser alvo de intervenção multidisciplinar de forma a prevenir efeitos nocivos como a sobreincriminação. Maior cooperação e coordenação internacional são elementos chave para que a polícia e a justiça estejam à altura de lidar com esta criminalidade econômica e lucrativa, detectando o crime, julgando e condenando os seus autores e evitando situações danosas como a incriminação da pobreza. A este propósito, Lopes da Mota apresentou a Eurojust como um “laboratório” de cooperação judiciária ao nível mundial, já que visa estimular e promover a coordenação sempre que casos de criminalidade envolvam dois ou mais estados.

10. Retórica Política e a Lacuna entre as Políticas e a Prática
Raymond Kendall, Secretário Geral Honorário da INTERPOL e Conselheiro Sênior do ICOS

Raymond Kendall, Secretário Geral Honorário da Interpol e Conselheiro Sênior do ICOS, referiu que, tal como declarado na sessão especial da ONU em 1998, as drogas são uma ameaça perigosa que afeta todas as sociedades. Nesse sentido, sublinhou que é preciso equilibrar a repressão com a redução da demanda. Kendall apontou o PRONASCI como uma iniciativa que reconhece a natureza multidisciplinar com que deve ser abordado o problema das drogas e provisão de segurança. O conselheiro do ICOS falou ainda da ineficiência das ocupações periódicas da polícia nas zonas interditas onde o estado não controla. Concluiu afirmando a importância da segurança, uma vez que a mesma não poderá ser obtida sem desenvolvimento.


Segunda Parte: Narcotráfico e Segurança Internacional

Na segunda sessão temática do simpósio os palestrantes apresentaram as implicações que as organizações criminosas, notadamente de narcotraficantes, trazem para a segurança regional, hemisférica e global. Foram também discutidos novos grupos, redes e conexões criminosas em operação no mundo e as ações dos países neste enfrentamento.

11. Mediador
Emmanuel Reinert, Diretor Executivo do ICOS

Emmanuel Reinert, Diretor Executivo do ICOS, iniciou a sessão introduzindo o aspecto negativo da globalização no aumento da mobilidade e facilidade das transações criminais. Reinert abordou ainda o que chamou de “politização do crime organizado” – organizações criminais buscando a participação em políticas de bases como estratégia para conquistar corações e mentes das comunidades e lideranças locais, ao mesmo tempo em que facilitam as suas atividades criminosas.

12. Tendências no Ciclo Global da Violência e do Crime
Christopher Langton, Sócio Sênior de Diplomacia de Conflito e Defesa, Instituto Internacional de Estudos Estratégicos – Reino Unido

O Coronel Christopher Langton, Sócio Sênior de Diplomacia de Conflito e Defesa do IISS1 do Reino Unido, relacionou a globalização, o crescimento populacional urbano e a difusão das comunicações e transportes massivos com o aumento de grupos atuando por iniciativa própria em conjunto com grupos fora ou à margem da lei. Mencionou as principais tendências nas atividades realizadas por esses grupos criminosos e as suas diversas formas de financiamento. Concluiu que as atividades desses grupos estão cada vez mais facilitadas enquanto que o cumprimento da lei se faz cada vez mais difícil.

13. Narcotráfico Como Ameaça Para a Segurança Internacional
Romesh Bhattacharji, Ex-Comissário de Narcóticos – India

Romesh Bhattacharji, Ex-comissário de Narcóticos da Índia, explanou que o problema das drogas apresenta três facetas: o tráfico de químicos precursores da droga; o lucro excessivo gerado pelo comércio das drogas e a posterior lavagem desse capital; o financiamento de atividades terroristas. Fez um retrato rigoroso do Afeganistão, onde por conta da exportação maciça do ópio, da ineficiência da repressão e fiscalização, os talibãs obtêm cada vez mais lucro e se fortalecem, possibilitando o financiamento do terror em todo mundo.

14. Drogas Ilegais e Segurança: a História do Ovo ou da Galinha?
Francisco E. Thoumi, Fundador do Instituto de Políticas Públicas sobre Drogas – Colômbia

Francisco Thoumi, fundador do Instituto de Políticas Públicas sobre Drogas na Colômbia, associou o cultivo de drogas às áreas onde há uma menor presença do estado. Argumentou que tanto a produção, quanto o consumo de drogas refletem problemas sociais não resolvidos nas sociedades, tendendo, portanto, a se concentrar junto a populações vulneráveis exacerbando ainda mais os problemas sociais. Criticou a política meramente repressiva de combate às drogas pela sua comprovada ineficácia, dado que não ataca as raízes do problema e lança o desafio de se pensar numa alternativa.

15. Desafios e Respostas no Brasil: A Polícia Federal
Roberto Troncon, Diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal – Brasil

Roberto Troncon, Diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, abordou o fenômeno do narcotráfico sob o prisma do crime organizado e relatou os mecanismos adotados pelo Brasil para a redução da oferta. Ressaltou a abordagem diferenciada utilizada nas investigações próativas que investigam o crime com o objetivo de desarticular as organizações criminosas em toda sua extensão. Reafirmou o interesse da ampliação da cooperação ao combate ao tráfico em níveis doméstico e internacionais e o aumento do intercâmbio mundial para a capacitação de agentes públicos e transferência de boas práticas.

16. Segurança Pública no Rio de Janeiro
José Mariano Benincá Beltrame, Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro – Brasil

José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, explicou as razões que levaram o Rio de Janeiro ao estado atual e precário no campo da segurança pública. Discorreu sobre a extensa influência que as facções de tráfico de drogas e milícias exercem sobre as favelas, impondo a violência na vida cotidiana das pessoas. Apresentou o trabalho realizado pela Secretaria, acrescentando que faltam força de trabalho, equipamentos e investimentos. Concluiu argumentando que o combate à violência deverá passar pela promoção da dignidade da população, pela geração de trabalho e renda, e ainda pela inclusão do jovem, cada vez mais atraído pelo tráfico.


Terceira Parte: Jovens e Narcotráfico - Fatores de Risco e de Proteção

Na última sessão temática do simpósio, os palestrantes abordaram o consumo e o tráfico de drogas sob a perspectiva social, assim como os aspectos legais e os fatores de risco e proteção para a juventude.

17. O Papel do Tratamento e da Punição no Abuso de Drogas
Antônio Nery Filho, Psiquiatra, Professor, Fundador e Coordenador Geral do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas/CETAD-Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia – Brasil

Antônio Nery Filho, Fundador e Coordenador Geral do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas, apresentou a tese de que o ser humano, eventualmente opta pelo uso de psicotrópicos para amenizar os sofrimentos. Insistiu na distinção entre os tipos de usuários de drogas, visto que demandam diferentes tipos de tratamento. Concluiu sua apresentação destacando a importância da prevenção ao abuso no consumo de substâncias psicoativas.

18. O Juizado Especial Criminal e as Drogas
Joaquim Domingos de Almeida Neto, Juiz de Direito, Tribunal de Justiça, Rio de Janeiro – Brasil

Joaquim Domingos de Almeida Neto, Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, tratou da Lei sobre Drogas, que distingue penas para usuários e traficantes de drogas, passando do modelo de justiça retributiva para o modelo restaurativo. Almeida Neto esclareceu a importância do Juizado Especial Criminal nos processos de usuários de drogas, uma vez que permite maior interação entre o juiz e as partes envolvidas. Nessa interação, a pena é definida de maneira flexível e negociada, garantindo ao infrator a proporcionalidade de medida punitiva.

19. Juventude e Tráfico de Drogas na Cidade do Rio de Janeiro
Alba Zaluar, Fundadora e Coordenadora do Núcleo de Pesquisa das Violências (NUPEVI) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Alba Zaluar, coordenadora do NUPEVI, explicou o fenômeno do envolvimento crescente de jovens com o tráfico de drogas e com a criminalidade violenta, partindo do complexo processo de redemocratização brasileiro, passando pela estrutura das polícias militares, pela informalidade na propriedade da terra, pela hipermasculinidade e com base nos dados de diversas pesquisas. A antropóloga propôs medidas pró-ativas e preventivas que se antecipem ao crime e promovam a socialização dos jovens que habitam os “conglomerados subnormais”, onde a institucionalidade é fraca e inconsistente.

20. A Cruz Vermelha e a Política Humanitária de Drogas
Oscar Zuluaga, Representante Especial da Cruz Vermelha para o Consenso de Roma sobre Política Humanitária de Drogas e Conselheiro Sênior do ICOS – Colômbia

Oscar Zuluaga, representante especial da Cruz Vermelha para o Consenso de Roma sobre Política Humanitária de Drogas, explicou os princípios da Cruz Vermelha que estão na base da atenção ao sofrimento humano. Em seguida, caracterizou os usuários e dependentes das drogas como um grupo de pessoas que sofre sistematicamente, especialmente quando políticas meramente repressivas os excluem e discriminam. Como parte da solução do problema, Zuluaga apontou o Consenso de Roma, apoiando a sensibilização da comunidade internacional, na educação de jovens contra as drogas, e no tratamento e reabilitação de usuários.


21. Notas Conclusivas - Governo Brasileiro

22. Notas Conclusivas - Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento (ICOS)